segunda-feira, 12 de março de 2018

O massacre do Boqueirão de Japi-RN


Resultado de imagem para livro de edson japi rnAcredito que no momento, dois livros deverão está ao seu alcance, amigos japienses: A Bíblia Sagrada (que relata a história da criação do universo, da humanidade e da salvação, do início aos dias de hoje) e o livro, JAPI, TERRA QUERIDA (que relata o processo de formação da cidade de Japi, desde a época da colonização aos dias também de hoje). Além das muitas riquezas culturais, o livro irá ajudar a você se prepara, tanto para relatórios e trabalhos acadêmicos, como também para o concurso que em breve acontecerá no nosso município.

No momento, o livro JAPI, TERRA QUERIDA, está à venda na residência do autor, Edson Batista, na Rua: Manoel Medeiros Nº 59. Aproveite! O tempo é curto !!!.
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Segundo o ancião informante, por volta de 1802, o seu bisavô juntamente com outros fazendeiros denunciaram os índios cariris. Esses fazendeiros estavam chateados com os insistentes ataques dos nativos aos seus rebanhos. Por isso, prestaram queixa ao governo da província da Paraíba, exigindo dele urgente providência, porque não estavam suportando mais a presença daqueles nativos em suas propriedades.

Resultado de imagem para boqueirão japiNa ocasião, os proprietários da fazenda Japi de Dentro alegaram às autoridades paraibanas que além dos índios estarem destruindo os rebanhos das fazendas, também representavam uma ameaça e medo aos fazendeiros e seus familiares. E, atendendo às solicitações dos proprietários, as autoridades da Paraíba, que também naquela época ainda conservavam vivo o espírito invasor e destruidor das guerrilhas dos bárbaros, agiram imediatamente enviando um batalhão de policiais, o qual veio bem armado e comandado por um tenente filho do fazendeiro (mencionado na seção conhecedor daquela região, porque ali ele fora criado.
Segundo o informante, a tropa enviada pela província era composta por aproximadamente 250 policiais, vindos todos da Paraíba. Além do tenente, contaram também com o auxílio de alguns proprietários de localidades próximas, de jagunços e de um índio[1] manso, que pertencera à mesma tribo.
Por causa da contribuição do “índio manso”, que foi guiando, ensinando, onde, quando e como deveriam fazer para pegarem todos os índios de surpresa, o ataque ocorreu subitamente sem chance para os nativos se defenderem e nem sequer fugir. Pode até ser que algum deles tenha escapado, porém não temos concretas informações disso.Resultado de imagem para boqueirão japi
                                 Sítio Arquelógico do boqueirão de Japi no Rio Jacú

A estratégia que os fazendeiros e as autoridades da Paraíba usaram para destruir os índios foi parecida com a maneira usada pelos colonizadores, fato esse já mencionado antes nesse capítulo, que ficou conhecido historicamente como “Guerra dos Bárbaros”: ação cruel, desumana e radical. Segundo o informante, esse massacre dizimou aproximadamente dois mil nativos da tribo cariri, que moravam no Boqueirão, às margens do rio Jacu.
O informante detalhou que os cariris se encontravam dormindo, quando o tenente apontou uma arma em direção a uma rede que estava pendurada entre alguns “ganchos” de uma grande craibeira que se encontrava no meio do rio Jacu, na qual estava o cacique Xatau. Em poucos segundos: um tiro, dois tiros. O cacique caiu morto no tronco da craibeira. Esse índio, além de cacique, era um vigilante da tribo.

Enquanto os índios se levantavam tonteados e assustados, os soldados iam fazendo o cerco e deixando um amontoado de mortos. Assim, como tudo foi bem planejado, após matarem o cacique, mais de 50 soldados, bem armados com fuzis, garruchas e espadas, ficaram posicionados atrás das pedras próximas ao local onde se encontravam as armas dos índios, só esperando a chegada dos nativos, pois, com certeza viriam pegá-las. De fato, próximo a esse local foram mortas centenas de cariris. Soldados, em cima de árvores, atrás de pedras, de troncos de árvores e bem posicionados, fuzilavam e matavam os que tentavam escapar do cerco. Enquanto isso, o tenente dava ordem para outro grupo de militares atacar e avançar em direção aos índios.

O massacre do Boqueirão[1] começou ao “quebrar da barra” (ao amanhecer), logo depois que o índio manso roubou todas as armas da tribo, as quais ficavam guardadas numa loca de pedra durante a noite, e findou na parte da tarde, quando o sol já se encobria por trás do imenso paredão da serra, que se estende na direção do poente.
Os soldados já estavam se reunindo para ir embora quando de repente perceberam algo correndo entre as pedras: era uma pequena e, talvez, única sobrevivente índia que corria desesperada pulando as pedras do rio Jacu, perseguida pela guerrilha que acabara de exterminar seu povo; ela na sua desesperada corrida lembrava as águas do Jacu quando tudo era paz. Agora estava ali, sozinha, acossada. Sua família, o pajé, seus amigos, todos mortos. Seus passos diminuíram. Sentia-se cansada. Até que a tropa a encontrou caída numa loca de pedra. O tenente que era parente do fazendeiro e que comandou o massacre resolveu levá-la com vida. Quando ele aproximou a mão no ombro da jovem nativa, foi surpreendido com uma violenta mordida desferida pela índia. Essa mordida foi tão forte que o dedo polegar da mão esquerda do tenente foi decepado e caiu em seus pés. Nesse instante, o tenente trêmulo e transtornado de dor puxou a espada da bainha, e com ela feriu a jovem, matando-a a golpes, no meio do rio Jacu, aquela corajosa índia da tribo cariri que habitava no Boqueirão, situado entre as serras do Japi de Dentro.
Cariry – grupo étnico que outrora ocupou grande extensão do Brasil, da Bahia para o norte de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Cariry é o mesmo que Kiriri, que significa: silencioso, calado (SOARES, 1930).


O RIO JACU

O rio Jacu é um dos maiores rios da Microrregião da Borborema Potiguar. Ele nasce na Serra dos Cariris Velhos, na Paraíba. Seguindo seu curso na direção do nascente, o rio desce de serra abaixo passando pelo Boqueirão, que fica entre a Serra Grande e Serrinha, e um pouco mais de três quilômetros à frente, chega à cidade de Japi, cortando-a em duas partes, ficando a maior parte da área urbana à direita do rio.
Continuando o seu trajeto, o rio Jacu vai jogar suas águas no grande açude Japi Segundo. Depois corta os municípios de Tangará e São José do Campestre e chega à localidade de Picos, no município de Nova Cruz. Prosseguindo chega até a área do Umbuzeiro e segue seu curso pelas terras de Santo Antônio e, seguindo seu caminho chega a localidade de Espírito Santo, onde logo a frente despeja suas águas na Lagoa de Guaraíras, que fica na beira do Oceano Atlântico, numa área que pertence ao município de Goianinha, no Estado potiguar.
O rio Jacu recebeu esse nome devido à grande quantidade de pássaros chamados Jacus[1], que existiam em todo o seu vale, principalmente na área que atualmente pertence ao município de Japi, sendo as localidades de Boqueirão de Baixo e de Boqueirão de Cima as mais povoadas por essa espécie. O rio Jacu foi a principal razão do surgimento da cidade de Japi. Por isso, é que se diz continuamente: Japi depende do Jacu e o Jacu de Japi.
            Antigamente todas as comunidades que se constituíram nesta região dependiam diretamente do rio, para usufruir de sua água, para alimentar-se e sobreviver.

A poluição do rio Jacu                


A poluição do rio Jacu, por parte dos japienses que moram na zona urbana, teve seu início exatamente na década de 1990, e deu-se principalmente por causa de dois fatores: a chegada da água vinda da adutora Monsenhor Expedito e a falta de saneamento básico. Há outras causas que contribuem para o aumento da poluição do rio: lixos que jogam em suas margens; esgotos que correm para dentro dele formando lagoas poluídas que vivem abertas, poluindo atmosfera e principalmente os lençóis freáticos. Antes as algarobas[1] cobriam todo o leito do rio. Agora, há quem plante capim para alimentar gados (bovino, caprino, ovino), contaminando assim a carne e o leite desses animais.

É preciso de fato haver uma mudança de consciência e de atitudes por parte das autoridades competentes: chefes de igrejas; diretores de escolas e professores; representantes dos poderes executivo e legislativo; líderes sindicais e comunidade em geral.
Portanto, é de fundamental importância que haja uma política de conscientização com o propósito de preservar este rio, historicamente simbólico para Japi.
Cabe a cada um, que mora nas proximidades de sua margem, zelar por esse grande bem natural. Não praticar nem permitir que outros pratiquem ações criminosas, como: jogar lixos em suas encostas, drenar ou permitir que outros drenem esgotos para dentro dele, e não deixar que árvores, como algaroba, capins e outras espécies, invadam o leito e a margem do rio.
É responsabilidade do poder público buscar soluções mais eficazes, tais como: saneamento básico, construções de piscinas cépticas e formas alternativas de reciclagem de lixos. Com isso, poderá abrir uma porta para o desenvolvimento sustentável no município de Japi e proteger, sobretudo, o meio ambiente.