quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O proprietário Claudino Marques de Souza

No dia 5 de janeiro de 2006, fui à localidade de Pedra Preta, a dois quilômetros da cidade de Japi. Nesse mesmo dia visitei a casa do senhor Manoel Claudino de Souza, e na ocasião conversei muito com ele e sua esposa, os quais me relataram tudo que sabiam sobre a origem dos primeiros habitantes e sobre o desenvolvimento da região até os dias atuais.
Segundo eles, no final do século XIX, todas as terras das localidades de Barra, Picada da Barra, Catunim[1], Pedras Pretas e a parte ocidental do Boqueirão de Baixo pertenciam ao proprietário Claudino Marques de Souza.        
Antes de possuir todas essas terras, ele tangia tropas de jumentos nas estradas. Ele era um “matuto”, que passava muito pelos caminhos de Japi, levando mercadorias para o Sertão e para o Brejo paraibano.



Claudino nasceu no sertão e se casou com a paraibana Santana Maria de Souza, com quem viveu até falecer. Ambos tiveram 11 filhos, a saber:
Francisca Claudino Rosa Lina (Chiquinha). Do seu casamento surgiram os Nicolaus.
Francisco Claudino de Souza (Chico).
Joana Claudino de Souza. Do seu casamento surgiram os Pebas de Carnaúbas.
Josefa Rosa Lina da Conceição. Do seu casamento surgiram os Carias.
José Claudino de Souza. Do seu casamento surgiram os Claudinos e as Marucas.
Manoel Claudino de Souza, pai do ex-vereador José Claudino de Souza.
Maria Claudino de Souza, mãe de João Branco.
Noca Claudino de Souza, mãe de Ester Chagas, ex-sogra de Hermílio Dantas.
Olinto Marques de Souza.
Paulino Marcos de Souza.
Rita Claudino. Do seu casamento surgiram os Chicós.
Quando Claudino Marques de Souza comprou essas propriedades, foi morar na localidade da Barra, na casa que ele mesmo construíra, na qual morou Severino Eugênio.
Nessa época, em toda sua propriedade só havia dois locais onde as pessoas e os animais podiam encontrar água, principalmente nos períodos de estiagem: no riacho que hoje pertence ao senhor Cristino Moreira (Riacho de Cristino) e no Boqueirão de Baixo, próximo à localidade de Pedras Pretas.                                             
                                                                                                 Ex-vereador Zé Claudino
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Em 1910, Claudino Marques de Souza saiu da Barra e foi morar na localidade de Pedra Preta, próxima às águas do Boqueirão, debaixo de um pé de umbu e de um pé de “Bonome”, onde viveu juntamente com sua família por um período de seis meses. Depois disso, ele construiu uma casa onde foi morar com sua família. Esta casa é conhecida hoje como a “Casa Grande de Sinval”. Ela foi a segunda casa que construíram na localidade de Pedra Preta, a qual ainda permanece lá até os dias atuais. A primeira residência construída naquela localidade foi uma casinha de taipa e quem morou nela foi Zé Branco, que era casado com uma irmã do pai de Manoel Claudino de Souza. Essa casa velha já não existe mais. No lugar dela, foi construída outra. Quem morava nela em 2006 era Antônio de Odorico.
Vereador Zome
Resultado de imagem para ZOME JAPI RNEm 1928, Claudino Marques de Souza faleceu. Mas, quando ele se encontrava às vésperas da morte, os familiares dele trouxeram o padre Manoel Barbosa Galvão, vigário da Matriz de Santa Cruz, para fazer a sua confissão. Também nesse dia o padre batizou vários meninos. Entre tantos, convém lembrar os nomes de Chicão, Nozinho, Chico Geraldo, Esmerilo Claudino de Souza[1].
Segundo Manoel Claudino de Souza, em 1910, o rio Jacu era um pequeno riacho. Foi na grande enchente de 1917, quando ele abriu bastante o leito e ficou largo como está hoje. Ele disse também que, em 1930, os principais donos de terra da região japiense eram: os Medeiros, os Claudinos, os Lopes, os Nicolaus, os Pontes e os Anselmos.
Atualmente, as famílias Claudino, Nicolau, Albino, Branco, Gomes, Barbosa, Carias e outras fazem parte da “família Claudino”, da qual a maior parte se encontra na cidade de Japi e no Sítio Pedra Preta, núcleo de origem de quase todas elas.

A localidade de Pedra Preta

O surgimento do povoado de Pedra Preta se deu em consequência da movimentação pastoril na região. O desenvolvimento dessa localidade, desde o início, vem ocorrendo muitolentamente até os dias atuais. Mas, mesmo assim, em 1966 já possuía uma Escola Isolada, com prédio próprio, construída na gestão do então prefeito Geraldo Anselmo Pinheiro.
A primeira professora de Pedra Preta foi Rita Maria de Pontes, esposa de Manoel Claudino de Souza. Antes, ela ensinava particular, em sua própria casa. Isso por volta de 1960. Dois anos depois, ela pediu um emprego ao então prefeito de Japi, Pedro Tolentino de Medeiros. E, a partir de 1962, ela começou a ensinar contratada pelo Estado do Rio Grande do Norte.
Muito antes de Rita Maria de Pontes, o professor Manoel Chico passou ensinando na localidade de Pedra Preta, principalmente aos membros da família Claudino.



       No ano de 2006, nesse povoado, existiam 78 casas, 290 habitantes, dois grupos escolares, nos quais as crianças da localidade recebem aulas referentes às primeiras quatro séries do ensino fundamental. Existe também uma igreja católica, inaugurada em 2010; um templo evangélico pertencente à Igreja Adventista do Sétimo Dia; três parques de vaquejada; uma associação; uma mercearia e uma pedreira[1] onde algumas famílias quebram pedras com fins comerciais (britas, meios-fios, paralelepípedos, pedras para revestimentos de paredes e alicerces de casas). A comunidade também vive da agricultura de subsistência e da pecuária. Todavia, a principal fonte de economia são os salários dos aposentados.