segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Descendência e influencia do Coronel Manoel Medeiros em Japi

O texto a seguir foi transcrito do livro JAPI, TERRA QUERIDA em fatos e fotos, páginas: 62,63,64,65,66,67,68,69, que segundo a Editora CJA Ltada-ME, possivelmente, o livro será lançado no dia 13/01/2018, na E. E. Cel. Manoel Medeiros (ensino fundamental).
Este livro será uma riquíssima obra pioneira que apresentará os principais fatos ocorridos na localidade desde o período colonial até os dias atuais: a extinção da tribo Cariri, a chegada dos primeiros posseiros, a formação das primeiras fazendas, o períodos dos tropeiros, a formação do primeiro grupo de moradores, a principal fonte econômica da localidade, o quadro atual do município e sua tendência para o futuro.

           Esta obra é composta de 460 páginas que trarão muito prazer e emoções, em breve.
João Pedra, o saudoso Bajau e a saudosa Maria Áurea de Medeiros me informaram que nas Guaribas, Sítio que pertence ao município de Araruna/PB, no final do século XIX, morava José Vicente de Medeiros, amigo de Pedro Tolentino da Costa, desde a época em que Pedro também morava na Paraíba, na localidade de Lagoa Cavada.
Nas Guaribas, José Vicente de Medeiros possuía uma propriedade. Naquela época, era costume dos amigos, principalmente fazendeiros, fazerem visitas uns aos outros. Certo dia, José Vicente saiu das Guaribas e veio visitar o seu amigo Pedro Tolentino, que morava na localidade de Japi e, nessa ocasião, ele conheceu a filha do amigo Pedro Tolentino da Costa, que se chamava Torquata “Santinha”, e logo pensou num possível casamento dela com um de seus filhos. 
Conforme depoimento de José Honorato (Zé de Regina), que é primo de João Pedra, logo que Manoel Vicente voltou à sua residência tratou o assunto com seu filho mais velho, Martins de Medeiros. Porém, esse rejeitou a ideia do pai. Então, José Vicente de Medeiros pensou noutro filho. Manoel José de Medeiros. Levou a proposta a ele, e ele concordou com a ideia do pai.
Segundo João Pedra, dias depois, Manoel resolveu ir novamente à casa do seu amigo; montou-se numa égua e partiu em direção às terras do Japi. Antes da hora do almoço, Manoel chegou à casa de Pedro, desceu de sua égua, aproximou-se da porta e falou: “Bom dia, Pedro!”. Pedro saúda o seu amigo e diz: “Vamos entrar e sentar-se!”. Manoel pede licença, abraça o amigo e senta-se. Pedro dirige a palavra à sua esposa: “Mulher! Faça um café para Manoel!”. O café é servido, Manoel toma aquele “café grosso”, forte, feito com rapadura brejeira e em seguida agradece a Deus.
Conversa vai e conversa vem, nada de tocar no assunto e chega a hora do almoço, logo a refeição foi servida, todos almoçam e agradecem a Deus por tudo. Minutos depois, Manoel chama Pedro e saem em direção à varanda, sentam-se e começam a conversar.
Depois de alguns papos, há um silêncio. Pedro se toca e faz a seguinte interrogação: “Manoel, diga mais alguma coisa?”. Manoel lhe respondeu: “Uma coisa muito importante me fez vir até aqui”. E, então, Manoel continuou: “Pedro, o principal motivo de mim está aqui é que eu resolvi oferecer o meu filho Manoel José de Medeiros para casar com sua filha. Se você concordar, será uma alegria muito grande para mim e minha família”.
Logo após desabafar e expor seu desejo, Manoel elogia o filho e reforça o pedido. “Pedro! Manoel José de Medeiros é um rapaz muito direito, trabalhador e ‘ajuntador’, vamos fazer o casamento de sua filha com o meu filho Manoel?”. Pedro então respondeu: “Se Santinha (Torquata) quiser, eu não sou contra”. Manoel Medeiros, ouvindo a resposta que foi muito agradável a sua alma, dirigiu-se a Pedro e pondo a mão no ombro do velho amigo, disse-lhe: “Vou trazer o meu filho para você e sua filha conhecê-lo”. E assim combinaram. Logo marcaram o dia dos dois jovens se encontrarem. No dia marcado, Pedro fez um pequeno banquete e ficou aguardando a chegada daquele que provavelmente seria seu genro. No dia marcado, Manoel chegou com o seu filho à fazenda de Pedro. Desceram dos cavalos e foram em direção à porta. Ao lado de Manoel José de Medeiros estava seu filho. Logo chegou Pedro Tolentino, e Manoel saúda o amigo e apresenta-lhe seu filho. Pedro olha muito admirado para aquele jovem de boa presença, que estava bem vestido com um lindo terno, pegou na mão dele e em seguida abraçou-o, dizendo-lhe: “Seja bem-vindo, meu jovem”. E imediatamente chamou Torquata, que se encontrava num quarto. Quando ela o avistou, quase não disse nada, de tanta emoção e felicidade. Tudo porque aos seus olhos, Manoel parecia um príncipe. Então Pedro Tolentino dirigiu-se à sua filha e disse: “Esse aí é seu futuro esposo, minha filha!”. Então, ela olhou com os olhos brilhando e com um sorriso de criança e falou: “Então está certo, meu pai”. Assim, marcaram a data do casamento para 02 de abril de 1902.
Segundo a certidão de casamento que Maria Zélia de Medeiros possui, Manoel José de Medeiros e Torquata Leopoldina Tolentino da Costa se casaram no dia 2 de abril de 1902. O casamento foi celebrado por um padre da cidade de Araruna, na Casa Grande do Sótão, na fazenda de Pedro Tolentino da Costa. Veio também o Juiz Distrital, Ezequiel Mergelino de Souza, da cidade de Santa Cruz[1], que oficializou o casamento civil.
            
            O nome da mãe de Manoel José de Medeiros era Bertina Maria do Espírito Santo. Filha de agricultor. Ela e seu esposo, Manoel Vicente de Medeiros, residiam no Sítio Guaribas, município de Araruna. E o nome da mãe de Torquata era Francisca Maria da Conceição.
Logo após Manoel e Torquata se casarem, os dois foram morar na casa velha que antes morou Pedro Tolentino, a qual hoje pertence ao seu filho Antônio Medeiros (Seu Tota).
Em 10 de março de 1926, após a morte de Pedro Tolentino, Manoel José de Medeiros mudou-se, dessa vez, ele foi para a casa grande da Ubaia, ou Casa do Sótão, na qual residia antes seu sogro. Nessa casa, Manoel José Medeiros permaneceu até o dia de sua morte, que ocorreu em 31 de outubro de 1959, sendo sepultado na capela de São Sebastião, que ele mandara construir em 1936 no povoado de Japi, numa área onde atualmente fica o bairro Alto São Sebastião[1].
Manoel José de Medeiros nasceu em 5 de dezembro de 1877 e sua esposa, Torquata Leopoldina da Costa, em 23 de agosto de 1882. Deste casal, surgiu uma grande família que hoje é conhecida em toda parte do município de Japi pelo nome de “família Medeiros”, a mais tradicional e ilustre do lugar. Inclusive, quando alguém que é de Japi encontra-se com outra pessoa em outro município, algumas vezes surge a seguinte pergunta: “Você é de Japi dos Medeiros?”.
Em 11 de fevereiro de 1903, Torquata pariu duas crianças, foram elas: José Medeiros e Pedro Medeiros. Porém, depois de poucos meses, Pedro morreu. Por isso, a primeira criança, do sexo masculino que Torquata pariu após a morte de Pedro Medeiros, opôs-lhe o nome de Pedro Tolentino de Medeiros. Depois, ela teve outros filhos. Veja abaixo os nomes dos filhos e netos de Manoel José de Medeiros e de Torquata Leopoldina da Costa.
 Quadro 2: Descendentes de Manoel Medeiros e Torquata

               NOME
NASCIMENTO
MORTE
José da Costa de Medeiros
11/02/1903
06/03/1977
Maria Áurea Medeiros Brandão
19/07/1904
16/02/2004
Pedro Tolentino de Medeiros
28/05/1909
29/05/1992
Francisco de Assis de Medeiros
10/03/1912
26/02/1986
Severina Dantas de Medeiros
02/12/1912
06/01/1983
Manoel Medeiros Filho
11/11/1916
31/07/1967
Antônio Medeiros da Costa
10/09/1918

Francisca Dantas de Medeiros
26/12/1921
14/08/1914
                
FILHOS DE JOSÉ DA COSTA DE MEDEIROS
HOMENS 849968
MULHERES 8409046
José Guedes de Medeiros
Francisca G. de Medeiros
                  
FILHOS DE PEDRO TOLENTINO DE MEDEIROS
HOMENS
MULHERES
Francisco J. de Medeiros (Jodova)
Francisca Amelina de Medeiros
Francisco N. de Medeiros (Nilton)
Francisca Leonor de Medeiros (Niná)
Francisco A. de Medeiros (Neno)
Francisca Aparecida de Medeiros (Tinca)
Francisco T. de Medeiros (Titito)
Francisca Lindalva de Medeiros (Francinete)
Francisco X. de Medeiros (Xavier)
Francisca Eliane de Medeiros
Francisco C. de Medeiros (Carlinho)

    
   
FILHOS DE FRANCISCO DE ASSIS DE MEDEIROS
HOMENS
MULHERES
Pedro A. de Medeiros (Seu Pedrinho)
Marlene de Medeiros
Francisco Assis de Medeiros (Nonô)
Maria de L. de Medeiros (dona Lourdes)
José Darci de Medeiros
Maria José de Medeiros (dona Dedé)
Tarcísio Araújo de Medeiros
Maria Zélia de Medeiros (Zélia de Titito)

Maria Salete de Medeiros

Maria Aparecida de Medeiros

Maria de Fátima de Medeiros
FILHOS DE SEVERINA DANTAS DE MEDEIROS

HOMENS
MULHERES

Manoel Gomes de Medeiros
Marieta Gomes de Medeiros    

-
Maria Gomes de Medeiros

         
FILHOS DE MANOEL MEDEIROS FILHO
HOMENS
MULHERES
Francisco Medeiros Sobrinho

FILHOS DE ANTONIO MEDEIROS DA COSTA
HOMENS
MULHERES
José Pinheiro de Medeiros
Maria Pinheiro de Medeiros
José Antomar P. de Medeiros
Irene Pinheiro de Medeiros    

Maria de Fátima P. de Medeiros

Maria Das Dores P. de Medeiros
                
FILHOS DE FRANCISCA DANTAS DE MEDEIROS
HOMENS
MULHERS
Amadis Pontes de Medeiros
Maria Antonieta P. de Medeiros                                                                                                                 
Amauri Pontes de Medeiros
Maria do Socorro P de Medeiros
João Pontes de Medeiros
Maria do Carmo P. de Medeiros
José Humberto P. de Medeiros
Maria de Fátima P. de Medeiros

Maria Ladjane P. de Medeiros

Linda Pontes de Medeiros

3.4.4 A política local: o coronel Manoel José de Medeiros

Manoel José de Medeiros ou coronel Manoel Medeiros”, patriarca da família Medeiros, nasceu no dia 05 de dezembro de 1877, em Guaribas, município de Araruna/PB. Quando ainda jovem, veio morar na localidade de Japi, casou-se com a jovem Torquata Leopoldina da Costa, filha de Pedro Tolentino, o maior proprietário de Japi naquela época.
Após a morte de Pedro Tolentino, as terras e economias que lhe pertenciam ficaram como herança para Torquata e Manoel José de Medeiros. E, a partir daí, Manoel Medeiros tornou-se o maior pecuarista da região japiense. Além da pecuária, ele impulsionou de tal forma a agricultura algodoeira, que esta região chegou a ser uma das maiores produtoras de algodão durante quase todo o século XX.
Homem de trato fino, muito educado, experiente e com uma capacidade qualificada na área agrícola, foi se tornando o maior latifundiário desta região, a ponto de o povo de Japi chamá-lo de “coronel” Manoel Medeiros.
Manoel José de Medeiros tinha um jeito simples e amigo de lidar com as pessoas, bem diferente da forma convencional pela qual os coronéis do campo tratavam a população.
A manifestação do poder desse senhor, que o povo da localidade o tinha como coronel, abrangia toda a região do Trairi, e influenciava até a política local. Por isso, seu filho Pedro Tolentino de Medeiros foi o primeiro prefeito eleito pelo voto popular na cidade de Japi. Cabe ressaltar que quase todos os líderes políticos que surgiram até hoje nesta cidade são descendente da família Medeiros ou recebeu ajuda dela para se eleger. Entre tantos, o que mais se destacou no cenário político regional foi Francisco Medeiros Sobrinho, que assumiu por várias vezes o cargo de prefeito: três vezes na cidade de Japi, e uma vez na cidade de Santa Cruz, cidade metropolitana do Trairi. Francisco Medeiros também apoiou e ajudou a eleger vários políticos em Japi e em Santa Cruz. Eis os nomes de alguns políticos que foram apoiados por Francisco Medeiros: Gentil Pinheiro prefeito e vice-prefeito, Tarcísio Araújo de Medeiros vice-prefeito, Antonieta Pontes de Medeiros prefeita, José Antomar Pinheiro de Medeiros vice-prefeito, e ainda tentou eleger Jodoval Ferreira de Pontes prefeito deste município em 2008, que quase ganhou a eleição daquele ano. Perderam por pouco. Porém, fortaleceu de tal forma o político Jodoval Ferreira, que na campanha de 2016, com o apoio do filho de Francisco Medeiros Sobrinho na chapa majoritária como vice-prefeito venceu. Foi de fato por causa desse apoio que Jodoval ganhou a eleição com facilidade.

No início da segunda metade do século XX, a economia do povoado de Japi era totalmente agrária, pois a maioria da população habitava na zona rural e viviam apenas da agricultura, e quem controlavam essas áreas eram os proprietários. Vale ressaltar, que o maior proprietário de terra e criador de animais daquela época era o Sr. Manoel José de Medeiros. Ele controlava toda a economia e as principais decisões desta região. Naquela época, alguém só conseguia o título de coronel se comprasse ou se as autoridades lhe concedessem. É importante destacar, que o título de coronel, o Sr. Manoel José de Medeiros nem comprou e nem foi lhe concedido. A população de Japi era quem o considerava um coronel por vê-lo como o maior líder desta região e se relacionar muito bem com sua gente. Foi um título informal e natural.

1.11.5 Os dois grandes latifundiários da família Medeiros depois da morte do Coronel              

Em 31 de outubro de 1959, o patriarca da família Medeiros, Manoel José de Medeiros, faleceu. Depois disso, no comando dos filhos de Manoel José de Medeiros, a economia agropecuária da família continuou crescendo cada vez mais em toda a área do município de Japi. Dessa vez, no comando de Manoel Medeiros Filho (Neco Medeiros), um de seus herdeiros, que em 1962 já concentrava em suas mãos muitas riquezas. Tanto que, na década de 1960, ele já era considerado o comprador e produtor de algodão e também comprador de couro e criador de rebanho mais rico deste município.

Fonte: Foto do cervo da família Medeiros. (Manoel M. Filho e sua neta Sânzia Medeiros)
                

   

A ascendência de Francisco Medeiros Sobrinho (Francisquinho) na agropecuária
  Fonte: Foto do acervo da família Medeiros. (Francisquinho)

Em 31 de julho de 1967, Manoel Medeiros Filho (Neco Medeiros) faleceu e deixou todas as suas riquezas para seu único filho, Francisco Medeiros Sobrinho, que zelou e cuidou com muita responsabilidade de tudo aquilo que seu pai deixara em suas mãos. Tanto que, em 1980, ele já era o destaque da família Medeiros, com desempenho bem-sucedido na agricultura, principalmente nas décadas de 70, 80, até meado de 1990, quando foi considerado um dos maiores latifundiários do Rio Grande do Norte, e o homem[1] mais rico da região do Trairi. Por volta de 1980, Francisco Medeiros Sobrinho já possuía mais terras do que o seu avô Manoel José de Medeiros quando faleceu. A prosperidade dele era muito grande. E a tendência era crescer muito mais. Tudo advindo da produção agropecuária. Nessa mesma década, ele comprou quase todas as heranças que seu avô Manoel José de Medeiros deixou para seus tios. Todavia, o grande latifundiário Francisco Medeiros não se limitou só a esta região. Atravessou as fronteiras intermunicipais e estaduais. Vale salientar que, com o crescimento econômico advindo da produção do algodão e da criação de rebanhos, principalmente bovinos, comprou outras propriedades nas cidades mais próximas: Santa Cruz, São Bento do Trairi, Campo Redondo, São Tomé, São Paulo do Potengi e nos Estados da Paraíba, Piauí e Pará, onde atualmente os seus filhos, Ivanilson Medeiros e Sânzia Medeiros, criam muitos animais.