sábado, 11 de março de 2017

JAPI-RN: A FAUNA E A FLORA DA ÉPOCA EM JAPI

 Relato do livro do historiador Edson Batista


A FAUNA E A FLORA DA ÉPOCA DE MIGUEL

Na época em que Miguel Lourenço veio morar nesta região, a fauna e a flora eram muito ricas. Na extensão das margens do Rio Jacu, de um a outro boqueirão, principalmente próximo à residência de Miguel Lourenço, existia uma grande mata. Árvores como: Baraúnas, Aroeiras, Umbuzeiros, Angicos, Cal-beiras, Oiticicas, Mulungus etc. Faziam daquela região, uma área de grande floresta escura que causava certos receios e medos. Era comum se ouvir o rugir de onças e pegadas delas por todas as partes da mata. Além das onças, outros fatores causavam medo àquelas pessoas: a seca, as pragas e as doenças.

Naquela época várias pessoas encontraram no pé da serra do Boqueirão, montes de pedras, e no interior desses montes achavam-se carvões, levando a supor que aqueles arrumados de pedras eram feitos pelos índios, provavelmente quando morria um de seus entes queridos. Segundo pessoas mais antigas da região, isto era uma prática comum entre eles, queimarem os seus cadáveres. Atualmente ainda existem pessoas na comunidade de Japi, as quais encontraram alguns desses arrumados de pedras.

Nesta época, ao descer do sol, quando já era tardinha, Miguel olhava para o Vale do Jacu e também para os campos onde contemplava algumas emas correndo em direção do boqueirão e também bandos de Pássaros voando como: papagaios, periquitos, xexéus, canários, jacus, arribaçãs, marrecos e outras espécies. 

O roçado de Miguel era próximo ao Rio Jacu, onde hoje se encontra a praça da cidade, na Rua Manoel Medeiros. Naqueles dias, do seu roçado, Miguel via passar muito próximo dele: Nambus, Asas Brancas, Preás, Rolinhas, Juritis e outros tipos de animais. Quando ele ia “caçar” nem precisava se afastar muito de sua casa, isto é, para matar algum animal para se alimentar. Certo dia, Miguel matou um tamanduá em cima do telhado de sua casa.