quinta-feira, 23 de março de 2017

Isso aconteceu em Japi-RN em 1937

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A CASA DE FARINHA DE MANOEL GERALDO

Segundo Chicão, em 1937, Manoel Geraldo construiu na Chã da Serra Grande, uma casa e em 1939 ele comprou um “aviamento” (máquina de fazer farinha de mandioca) e, em 1940 ele levou esse aviamento para cima da serra onde lá, ele instalou-o na sua própria residência, o qual ocupou toda a área da sala. 

O aviamento que ele comprou era de segunda mão e ainda mais, esse equipamento havia sido construído a mais de 50 anos. Dizem que ele tem atualmente quase 200 anos, e ainda está em perfeito estado de conservação.

Nessa mesma época, em que esse equipamento começou a funcionar foi um grande sucesso. Embora atualmente ele quase não signifique nada, naquela época equivalia a uma grande indústria e representava grande desenvolvimento para essa região.

Nesses dias, muitos proprietários de “roça” vinham fazer farinha na “casa de farinha” do senhor, Manoel Geraldo.

Não podemos esquecer o termo “farinhada”, que significa o período em que se reuniam muitos rapazes e moças, todos trabalhando na produção da farinha. Durante a noite tomava-se café por várias vezes. Junto com o café vinha também: beiju feito com coco, tapioca quentinhas e bolos, todos feitos durante a “farinhada”. Segundo algumas pessoas mais idosas, durante as farinhadas aconteciam muitos namoros e paqueras. Rapazes trabalhavam piscando o olho para as moças e as moças para os rapazes.

Retomando o assunto sobre a vida de Manoel Geraldo, é bom salientar, que ele nasceu em 1888, e morreu em 1976 com 88 anos de idade. Ele foi a segunda pessoa da família Geraldo que morreu na localidade da Chã da Serra Grande. Depois, nesta mesma serra, morreram outros da mesma família.

Após a morte de Manoel, o aviamento ficou sobre os cuidados de Francisco Alves da Costa (Chicão), que é o pai de “Odete de Chicão” esposa de Cicero Batista dos Santos (Cícero do Bar meu tio). Atualmente esse equipamento não funciona mais, o aviamento ainda está dentro da velha casa de taipa que Manoel a fez. Chicão, filho de Manoel Geraldo nasceu em 20 de novembro de 1928, viveu por muito tempo nesta casa, deitado numa rede que se encontrava sempre armada junto ao aviamento velho que está coberto por poeira e teias de aranhas. Embora o senhor Chicão não se levantasse mais de sua rede, a não ser que fosse com a ajuda de outra pessoa, vivia lá, feliz, olhando sempre para aquele equipamento, lembrando “as noitadas de farinhadas”, das lutas de seu pai e de um passado emocionante.

Fonte: Relato do livro do historiador Edson Batista.