segunda-feira, 20 de março de 2017

Isso aconteceu em Japi no ano de 1920: Propriedade é vendida por “duzentos mil réis e dois garajás de rapaduras”.



MANOEL MEDEIROS COMPRA A TERRA DE MIGUEL LOURENÇO

Manoel José de Medeiros lutava muito para comprar as terras de Miguel Lourenço. Normalmente Manoel visitava a casa do senhor Miguel Lourenço, principalmente na parte da tarde. Segundo Leôncio, neto do velho Miguel, toda vez que Manoel José de Medeiros ia à casa de seu avô (Miguel Lourenço) e que tocava no assunto da compra da terra, Miguel falava assim: – Essa terra não vendo não Manoel, porque já estou muito velho, cansado e doente. Por isso, tenho a certeza de que estou perto do fim, como eu tenho muitos filhos, vou deixá-la para eles, para que no futuro eles possam trabalhar em suas próprias terrinhas. Certo dia, quando Miguel Lourenço assim falou, Manoel Medeiros o respondeu: – Não se preocupe Miguel, se você me vender essa terra seus filhos irão morar e trabalhar nela, todos os tempos e ninguém irá mexer com eles. De um lado se percebe uma luta consistente de Manoel Medeiros tentando convencer o senhor Miguel Lourenço a vender sua terra. E do outro se percebe Miguel tentando livrar-se da venda e deixa-la para os seus descendentes. 

Segundo os senhores Leôncio Miguel e Antônio Lourenço, Manoel Medeiros tentava conquistar o velho de qualquer jeito. Eles me disseram no ano de 2004, que certo dia, Manoel Medeiros foi à casa de Miguel Lourenço como era de costume e na ocasião ele deu uma moeda para o velho e disse: – Miguel, isso aí é para você comprar fumo para você fumar no seu cachimbo. Manoel sabia muito bem que Miguel era fumador e que naquele momento não possuía dinheiro para comprar nem se quer um pedaço de fumo. Cheio de alegria Miguel falou a sua esposa: – Olha Zefinha! “Sou cativo do agrado”. Quando Manoel Medeiros voltar novamente aqui, vou vender a terra que possuo a ele. E assim Miguel fez. No outro dia, ao entardecer, Manoel Medeiros chegou à casa de Miguel Lourenço, como era de costume e na ocasião comprou toda a terra de Miguel por uma quantia que hoje os netos e bisnetos de Miguel ignoram: “duzentos mil réis e dois garajás de rapaduras”. Segundo Antônio Lourenço, homem já falecido, esse fato ocorreu em 17 de outubro de 1920.

Relato do livro do historiador Edson Batista.