sexta-feira, 3 de junho de 2016

Cientistas acreditam que zika possa ser transmitido por beijo e sexo oral

Cientistas levantaram a possibilidade de o vírus da zika ser transmitido pelo sexo oral –ou talvez até pelo beijo– em um artigo da revista médica “New England Journal of Medicine”, citando um caso na França.
Um único incidente pode parecer pouco. Mas até o começo deste ano só havia um caso registrado de transmissão sexual do vírus: em 2008, um pesquisador que voltou da África infectou sua mulher no Colorado (EUA).
Agora cientistas acreditam que a transmissão sexual seja uma via importante da epidemia de zika na América.
Casos da infecção foram registrados em dez países onde não há mosquitos que transmitem o vírus, incluindo Alemanha, Itália, Portugal e Nova Zelândia.
O caso francês é de um homem de 46 anos que esteve no Rio de Janeiro e voltou a Paris no dia 10 de fevereiro, depois de apresentar sintomas do zika ainda no Brasil.
Ele e sua parceira de 24 anos tiveram relações sexuais sete vezes entre os dias 11 e 20, cada uma envolvendo sexo vaginal sem ejaculação e sexo oral com ejaculação.
O casal estava usando o sexo oral como forma de evitar uma gravidez, disse Yazdan Yazdanpanah, especialista em doenças infecciosas do National Institute of Health, pesquisador em Paris e um dos autores do artigo.
A mulher adoeceu no dia 20. Ambos fizeram testes para o zika no dia 23. O homem tinha altos níveis do vírus no sêmen e na urina, mas nada apareceu no sangue ou na saliva. Já a mulher tinha o vírus na urina e na
saliva, e anticorpos para o zika no sangue. Uma coleta de material vaginal, porém, mostrou resultado negativo para a infecção.
“Não acho que isso mude alguma coisa, mas mostra como há muitas formas de transmissão”, disse William Schaffner, chefe de medicina preventiva da Vanderbilt University Medical School.
Ele concorda que a via mais provável de transmissão do zika foi o sexo oral, ainda que seja possível que a mulher tenha sido infectada pelo fluido pré-ejaculatório durante o sexo vaginal ou que as recordações do casal
sobre seu histórico sexual apresentem falhas.
Yazdanpanah, porém, disse que os dois foram entrevistados separadamente e as descrições bateram.
John T. Brooks, epidemiologista do Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), disse não estar “particularmente surpreso” com a probabilidade de transmissão do zika via sexo oral. Já a transmissão pelo beijo é improvável, disse.

Folha Press