quarta-feira, 18 de maio de 2016

Professor Edson conta de forma mais detalha a evolução histórica e política de nossa cidade

3.4 PRINCIPAIS FATOS POLÍTICOS E SOCIAIS

3.4.1 Os primeiros habitantes

Há muitos anos atrás, o maior folclorista brasileiro, o potiguar Luís da Câmara Cascudo, fez a seguinte descrição, no que diz respeito à colonização das terras japienses:

“Foi às margens do Rio Jacu, a exemplo de muitos outros povoados, que surgiu o pequeno núcleo de moradores, com a da presença dos Capitães Júlio Borges de Góis e Manuel Pereira, concessionários de sesmarias para a exploração da área, no ano de 1716. A história da região mostra que vários proprietários, ao longo dos anos, tiveram a responsabilidade de desenvolvê-la.
Em 1724, o proprietário da área que compreendia do Rio Trairi ao Jacu era o Sr. Antônio Moreira Paiva, em 1731, de acordo com os registros, o Sargento-Mor, Manuel Palhares Coelho e o Capitão Dionísio Borges da Fonseca possuíram seis léguas nos providos de Japi de Fora, incluindo o poço Santo Antônio. No ano de 1734, a área do Rio Jacu, incluindo as Cachoeiras de Japi de Baixo e o jacu de Cima, pertenciam a Pedro Gonçalves Esteves.
A localidade, que era fazenda desde 1784, desenvolveu-se com grande movimentação pastoril agrícola”. ( Cascudo; 1996, p. 55 ).

É importante ressaltar que como foi transcrito no segundo parágrafo desse capítulo, há alguns registros afirmando que foi no nordeste da região do município, principalmente na localidade do Salgado, que se instalaram as primeiras fazendas. No sul, onde fica a zona urbana, a duzentos e trinta anos atrás, só viviam e caminhavam nesta área, os índios Cariris, que viviam amontoados no Boqueirão de Cima, numa localidade que ainda é conhecida pelo nome de Japi de Dentro, e em algumas partes da localidade do Salgado.

  Segundo o senhor “Bajau”, no final do século XVIII, por volta de 1795, habitavam na localidade de Japi, na margem direita do Rio Jacu, próximo ao Boqueirão de Cima, alguns proprietários: Zé de Góis, O Cruz, Adelino e outros, os quais permaneceram nesta região poucos anos. Abandonaram as terras por causa das longas estiagens, das doenças, das onças e dos índios.

É importante observar que esses pequenos proprietários não deixaram nenhum descendente nesta localidade.
O povoamento de Japi teve seu início efetivamente, a partir de 1855, quando aqui chegou o grande desbravador Miguel Lourenço. Ele e sua companheira (esposa), Josefa Lourenço, enfrentaram e venceram todas as dificuldades da região: secas, enchentes, epidemias, fome, doenças, animais ferozes etc. Apesar de tudo, eles foram perseverantes e persistentes. Criaram nove filhos os quais começaram a povoar toda área da localidade de Japi, constituindo hoje, os seus descendentes, a maior família em número desta cidade.


Em 1878, veio para a localidade de Japi Pedro Tolentino da Costa. Ele possuiu as terras que ficam à esquerda do Rio Jacu, ao oeste da cidade. Enquanto as que ficam ao leste pertenciam ao grande desbravador Miguel Lourenço.

Em 1889 veio também para esta localidade a família Geraldo. Três rapazes dessa família se casaram com três filhas de Miguel Lourenço; em 1891 chegou à família Catirina, e Gonçalos. Também, membros dessas duas famílias se casaram com filhos de Miguel Lourenço, os quais fixaram residência aqui, contribuindo assim para o crescimento do povoado; em 1895 veio do sertão um jovem da família Dantas e casou-se com uma das filhas de Miguel, que é avó de Ezequias Dantas e de Severino Barbosa; em 1898 veio à família Pedra; em 1902 veio para a localidade de Japi o patriarca da família Medeiros, Manoel José de Medeiros. Ele se casou com Torquata Leopoldina da Costa, filha de Pedro Tolentino da Costa. Desse matrimônio surgiu a ilustre família Medeiros.

Em 1905 João Batista Confessor de Oliveira veio morar também nesta localidade e, aqui, ele tentou desenvolver o comércio, construiu sua família, deu início à primeira Rua de Japi. Rua Manoel Medeiros. E, segundo sua filha Francisca Confessor, no ano de 1932 foi embora para a Paraíba aonde morreu e foi sepultado.
 Aos poucos o povoado ia crescendo. Tanto que, em 1910, já existiam dezoito casas, embora fossem de taipas, espalhadas, desordenadas, próximas a pequenos “roçados”, tendo ao arredor de cada uma delas pequeno arvoredo. Em 1911, veio à família Cassiano.

O povoado de Japi só começou a se desenvolver no início da primeira metade do século XX, por volta de 1915, quando o proprietário Pedro Tolentino da Costa e o seu genro Manoel José de Medeiros transformaram quase todas as suas propriedades em campos de algodão. Por causa da grande movimentação de tropeiros e da grande produção do algodão que estava em ascendência nesta localidade, no início do século XX, por volta de 1920, já existiam muitas casas, todas próximas à área em que se encontra a cidade de Japi, e cada uma delas estava situada junto a um “roçado”. Entre essas casas, algumas pertenciam a fazendeiros que tinham pequenas propriedades próximas a este povoado. Com o aumento da produção de algodão começaram a surgir perspectivas e oportunidades na região e muitas pessoas, interessadas, começaram a vir morar nela. Em 1920, quatro famílias vieram para o povoado de Japi: os Vaginovas, os Dantas, os Ciprianos e os Beneditos. Logo depois chegaram outros: os Brimudos, os Fagundes e outros mais. Com a chegada dessas famílias e o grande fluxo de tropeiros que passavam por esta região, foi possível prever que esse povoado, em alguns anos mais tarde, se tornaria uma cidade. 
João Confessor construiu a primeira casa no ano de 1922, a qual é conhecida pelo nome de “Chavião”.
Convém lembrar que, antes de 1922, quase todas as casas que existiam no povoado foram construídas de barro e madeiras (casas de taipas), com exceção das quatro mais antigas: os dois casarões que Pedro Tolentino fizera em suas fazendas: a casa que fica na fazenda do senhor Tota Medeiros e a casa do sóton da Ubaia, onde trabalha Aristides Nicolau; a que morou Napoleão Vaginova, que ficava perto das Pedras de Zé Medeiros, e a casa velha que foi de Zuca Confessor, na qual quem mora atualmente é o senhor Minel.
No início da década de 1940, chegaram aqui outras importantes famílias: os Nicolaus, os Lopes, os Pontes, os Borges, os Teotônios, os Gomes, os Chicós, os Gambeus, os Aprígios e outras. A partir daí a localidade e o número de habitantes começaram a crescer expressivamente e, então, começou a organizar a cidade tendo à frente de tudo isso, Josefa de Araújo Lima, o coronel Manoel Medeiros e João Batista Confessor. Josefa, tentando organizar a saúde, a religião, a educação, a justiça e eventos sociais; João, o comércio local; Manoel Medeiros, a agricultura, a pecuária, a economia e a sustentabilidade, que foi o fator principal para gerar emprego e renda e povoar esta localidade, e causar o processo de imigração na região.
Em 1931, representantes da cidade de São José do Campestre mandaram construir um posto fiscal na localidade de Japi; no ano de 1936, Manoel José de Medeiros mandou construir a Capela de São Sebastião à esquerda do Rio Jacu; em 1942, Antônio Confessor construiu um templo evangélico da Igreja Batista, onde hoje fica a praça central da cidade; em 1945 foi construído um grupo escolar, feito por Severino da Costa Belmont (Escola Isolada Coronel Manoel Medeiros) na Rua da praça; em 1946 já existiam nesta localidade três pequenas ruas e cinquenta e três casas, entre as quais cinco foram feitas por João Batista Confessor, e uma população estimada em 265 pessoas.
Em 18 de maio de 1959 ocorreu a Emancipação Política de japi, tendo a frente de todo esse processo, a Senhora Josefa de Araújo Lima, que foi a primeira prefeita do Município.


Observação: Este texto foi transcrito do livro JAPI, TERRA QUERIDA, páginas 89 e 90
BATISTA, Edson. JAPI, TERRA QUERIDA, Natal, 2016.
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