quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

2014 foi o ano com maior número de assassinatos já registrado no Brasil. Nordeste lidera

Um cruzamento de dados do Ministério da Saúde revelou que nunca tanta gente morreu assassinada no país como em 2014.

O conselheiro tutelar Jefferson Machado, de 34 anos, saiu no portão da casa do sogro e foi morto a facadas por um casal de catadores de lixo. Isso aconteceu em março de 2014, o ano em que Fortaleza, a capital cearense, já era a cidade mais violenta do país.

“Eu gostaria muito que isso não se propagasse, a coisa realmente se modificasse que a gente tivesse um pouco mais de segurança, um pouco mais de paz”, diz Daiana Machado, mulher do Jefferson.

No mesmo ano de 2014, a taxa de assassinatos cresceu quase 26% em Porto Alegre. Foi lá que Alencar da Costa Junior voltava de uma festa com a namorada e levou um tiro de um assaltante.

“Infelizmente isso não volta. Então tinha um legado, tinha uma frase dele também muito bacana que é ‘vida que segue’. A gente está tentando fazer isso, mas está muito difícil”, diz o gerente comercial Alencar da Costa.

Esses casos vão para a estatística do do Ministério da Saúde. Um levantamento feito pela produção da TV Globo constatou que 2014 bateu recorde de assassinatos: 583.946 pessoas foram mortas.

O mapa mostra que a Região Nordeste concentra boa parte dos homicídios do país: Fortaleza lidera o ranking com quase 83 assassinatos por 100 mil habitantes. Em seguida vem São Luís, Maceió, Natal e João Pessoa.

A cidade de São Paulo foi considerada a quarta capital mais violenta do país no ano: 61 assassinatos por 100 mil habitantes. Hoje, pelos números do Ministério da Saúde, São Paulo é a que tem a menor taxa de homicídios: 14 casos por 100 mil. Em todo o país, a arma de fogo é a mais usada. Sete a cada dez vítimas foram mortas à tiros.

Faz 13 dias que um casal que mora na Zona Leste de São Paulo perdeu a paz. Eles abriram a porta e tentaram salvar o filho Renato, de 31 anos, baleado por ladrões no quintal de casa.

“Para mim, ele detonou com a minha familia. Acabou com a minha vida, com a vida do meu marido, com a vida das minhas filhas”, diz Alcileide Medeiros, mãe de Renato.

Para o conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, um pacto antiviolência proposto pelo governo federal ainda não funcionou.

“Hoje uma ocorrência de homicídio é vista como mais um caso, quando na verdade ela deveria ser objeto de uma enorme análise e, se existir força e vontade política, a gente consegue partir para um ciclo, para um movimento de redução, mas é fundamental que as epssoas e os governos cinversem, dialoguem e se integrem”, afirma Renato Sérgio de Lima, conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

O Ministério da Justiça declarou que está desenvolvendo diagnósticos a respeito das causas dos homicídios no brasil e articulando ações com os estados.

A Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul disse que não pode comentar os dados do Ministério da Saúde por desconhecer a metodologia.

O delegado-geral da Polícia Civil do Ceará disse que os homicidios em Fortaleza já caíram 17% no ano passado em relação a 2014.