sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

COLONIZAÇÃO DAS TERRAS JAPIENSES

O processo de colonização ocorrido no Brasil, especificamente no interior nordestino, que se deu nos séculos XVII e XVIII teve suas consequências também idênticas na localidade de Japi: com a extinção da tribo Cariri no Boqueirão, fato esse, denominado de (Guerra dos Bárbaros); a chegada dos posseiros: “(O Cruz, Belo e Monte, que eram dois padres, Adelino, que construiu o cemitério, O Costa, primo de Pedro Tolentino da Costa, Miguel Lourenço da Costa, Pedro Tolentino da Costa, também primo de Miguel Lourenço da Costa)”; as primeiras fazendas; os matadores de onças; a criação de rebanhos e o desenvolvimento da produção algodoeira.
(SANTOS; 2018, Pp. 24-32).
O texto a seguir foi extraído do livro JAPI, TERRA QUERIDA em fatos e fotos, que agora está confirmado pela Edtora: CJA LTADA - ME. A data da publicação será: 13/01/2018, num sábado, a partir das 19:00h, no prédio da E.E.Cel. Manoel Medeiros II. 

Os descendentes indígenas foram escravizados ou refugiados no sertão, sendo também perseguidos e mortos pelas terríveis guerrilhas, organizadas pelos grandes proprietários de terra para expulsarem os índios do interior OS PRIMEIROS POVOS: OS ÍNDIOS CARIRIS E TAPUIOS

Sabe-se através de registros históricos que no interior do Rio Grande do Norte predominavam os Tapuias, também chamados de Cariris. Vale saber, também, que os Cariris eram as tribos indígenas que habitavam nas áreas interioranas do Estado até o final do século XVIII. Os estudos comprovam que eles eram divididos em tribos como: Panati, Caicó, Peba e Tarariú, que habitavam o Seridó e o Trairi.
Por causa dos vestígios que nós encontramos em todos os arredores do nosso município, fica evidenciada a existência de muitos índios aqui neste torrão há centenas e milhares de anos. A saber, nas localidades de Letreiro, Tubiba, Salgado, Casinha, Japi de Dentro e Boqueirão de Cima. Acredita-se, com base em várias evidências, que a tribo que aqui viveu foi a Cariri.

Os nomes[1] dos povos indígenas são escritos conforme a “convenção para grafia dos nomes tribais”, adotada em 1953. Assim, os nomes tribais, excetos os de origem portuguesa, não sofreram flexão de número (FELIPE; CARVALHO, 2002, p. 8).

Cariry – grupo étnico que outrora ocupou grande extensão do Brasil para o norte de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Cariry é o mesmo que Kiriri, que significa: silencioso, calado (FELIPE; CARVALHO, 2002, p. 9).



Foto: Google

1.1.1 A guerra dos bárbaros

Para Silva (2003, p.11), Quando o interior potiguar foi ocupado pelos colonizadores, ocorreu a chamada Guerra dos Bárbaros. Nesse período, houve muito derramamento de sangue no Rio Grande do Norte (1687-1797). Tribos inteiras, do litoral ao interior do Estado, como Tapuia, Pega, Caboré e outras, foram levadas à completa extinção (SILVA, 2003).    

Com o processo de colonização, o surgimento de propriedades no interior do Nordeste e o avanço dos poceiros, muitos índios morreram em combate, pois ficavam em desvantagem com seus armamentos, em que o arco e o tacape nada podiam diante das armas de aço e de fogo (o mau espírito trovejante) e da astúcia dos capitães de campo. Alguns fugiram para outra localidade do interior do Estado, negando-se ao trabalho como escravo.

Em muitos combates, algumas tribos foram completamente extintas. Foi o que ocorreu, no século XVIII, com os Cariris que moravam no Boqueirão de Cima, próximo à Fazenda Japi de Dentro. Naquela época, o interior do Rio Grande do Norte e da Paraíba ainda vivia o processo de colonização. As províncias incentivavam a escravidão ou a matança dos índios, fato descrito pelos historiadores de Guerra dos Bárbaros.
Com efeito, ainda segundo Silva (2003, p. 12),

a Guerra dos Bárbaros (1687-1697) exterminou a maioria da nação indígena na capitania do Rio Grande do Norte.
do Estado, tomando assim posse da terra para pasto de gado dos fazendeiros colonizadores.
O tempo de duração desse conflito interessava diretamente aos invasores que, conscientes do seu poderio militar, nada faziam para pôr fim à guerra, pois quanto mais tempo ela permanecia, mais terras eram conquistadas.
No final da Guerra dos Bárbaros, a população indígena estava reduzidíssima. Os que sobreviveram entraram paulatinamente num processo de miscigenação e de aculturação com a população branca, de origem portuguesa, e com os negros de origem africana. Somente após o esmagamento dos índios no século XVII, pôde a colonização portuguesa consolidar-se no interior potiguar ao longo do século XVIII

       
1.2 A CONQUISTA DO SERTÃO

1.2.1 A chegada dos posseiros

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                                                                  Tropeiros      foto: portaldorancho

Assim surgiram as primeiras propriedades e os primeiros pequenos proprietários. De acordo com Silva (op. cit., p. 14), “o posseiro, egresso, muitas vezes, das bandeiras e entradas que se internavam nos sertões à procura de índios, agarrava-se à terra, dominando-a, conquistando-a para possuí-la de modo amoroso, mas egoístico”. E fazia mais: nas suas entradas pelo sertão, perseguindo a ferro e fogo o gentio bravo, batizava a terra, domava as feras, abria picadas, veredas e estradas, vadeava os rios, subia e descia as serras deixando por toda a parte o traço marcante da sua personalidade e do seu engenho. Rios, córregos e riachos, lagos e lagoas, poços e fontes, serras e serrotes, caminhos, veredas e estradas, cacimbas e vertentes, olhos d’águas, barreiros, árvores, astros e aves, vegetais e plantas, todos, à sua passagem, perdiam o estado de natureza selvática, adquirido de graça e tendo o seu destino ligado a nomes de gente, de santos, de acidentes geográficos, de peixes, de árvores, de aves domésticas.
Silva (2003, p. 14) também afirma:

Com as melhores terras ocupadas pelo gado e pelos canaviais dos grandes proprietários, restavam as terras mais secas para serem apossadas. Começou a odisseia dos posseiros, que vinham de regiões da Paraíba, homens brancos, pardos e mesmo negros fugidos das senzalas, seguindo o curso dos rios, que em época de seca se transformavam em estradas, embrenhando-se na caatinga, saco nas costas, armas de fogo no ombro, caçando índios, matando onças, animados em assentar os primeiros currais, tangendo um touro e três novilhas (essa era a base da pecuária familiar), fincando palhoça nas ribanceiras dos rios, como informa Câmara Cascudo (1968), “e lá ia plantar choça de palha, taipa de bofete, matando onça a terçado e paiacu a tiro de clavinote. Tangia um touro, duas vacas, casal de cabras... chegava e ia ficando colono de si mesmo, alimentado pela esperança de sobrevivência. Que quando a sorte batia, a fartura crescia, surgiam assim os grandes proprietários”.

Os primeiros posseiros que tentaram viver nesta localidade não conseguiram permanecer porque não tiveram condições de enfrentar as dificuldades e desafios que lhes puseram à prova. Sabe-se que viveram aqui no início do século XIX, por volta de 1805 a 1825. Isso se deu logo após a extinção da tribo Cariri que vivia no Boqueirão do Japi. Veja o nome deles: Zé de Góes, Adelino, o Cruz e Belo Monte. Mais tarde, ainda na primeira metade do século XIX, chegou aqui, o Costa[2].
Em 1850, chegou o grande desbravador Miguel Lourenço da Costa. Ele veio trazido pelo pai, para tentar a sorte aqui nas terras do Japi. Ele foi o posseiro que permaneceu até a morte nesta localidade. Foi ele e seus descendentes que deram início ao povoamento da cidade de Japi.
Mais tarde, no final do século XIX, Aninha Geraldo e Joaquim Geraldo, seu esposo, apossaram-se da terra que era do Costa. No início do século XX, esse casal foi expulso e fugiu para cima da Serra Grande, onde se apossou de quase toda a chã daquela Serra.
Segundo Leôncio Miguel, o Costa era parente de Miguel Lourenço. Talvez tenha sido por isso que Aninha Geraldo tenha ficado com suas terras.


1.2.2 Os proprietários das fazendas Japi de Dentro

No dia 16 de fevereiro de 2006, fui à localidade do Trairi, com o objetivo de encontrar um homem que nascera na Fazenda Japi de Dentro. Este senhor é parente do tenente que junto com outros homens comandaram, há dois séculos, a ação que exterminou a tribo indígena que habitava no Boqueirão de Cima, próximo à fazenda Japi de Dentro.
Por volta das 18 horas desse mesmo dia, encontrei realmente a pessoa que eu procurava: O ancião de 84 anos, que estava acompanhado por um dos filhos.  Os dois estavam trabalhando na beira do Açude do (...).
Depois de fazer perguntas a respeito de seus familiares, o ancião me respondeu: “Meus bisavôs possuíam a fazenda Japi de Dentro, situada nas chãs da Serra Grande e de Serrinha, ficando a maior parte no território paraibano, no meado do século XVIII”.
Continuei a conversa com o ancião e ele me disse que seus quatros avós faleceram entre a segunda metade do século XIX e a primeira metade do século XX. Conversávamos ainda, quando ele me disse que o avô materno era o fazendeiro que possuía mais bens naquela localidade e que, depois de sua morte, deixou uma grande fazenda com 50 cabeças de gado, quatro cavalos, um burro de sela, um chiqueiro cheio de ovelhas, outro cheio de bodes e duzentos alqueires[3] de farinha.
O ancião me disse ainda que, quando o seu avô materno faleceu, um dos filhos apropriou-se de quase tudo que ele possuía. Ele falou também que as terras que eram dos filhos de José Anselmo Pinheiro, antes pertenciam a um de seus tios.
Dizem que o homem que vendeu as terras a José Anselmo Pinheiro não mantinha boas relações com os proprietários vizinhos. Tanto que quando ele vendeu essa terra, as pessoas que moravam na vizinhança agradeceram a Deus, por saberem do ocorrido e até compraram um brinde para presentear o novo proprietário, José Anselmo Pinheiro.


1.2.3 O massacre do Boqueirão

Segundo o ancião informante, por volta de 1802, o seu bisavô juntamente com outros fazendeiros denunciaram os índios cariris. Esses fazendeiros estavam chateados com os insistentes ataques dos nativos aos seus rebanhos. Por isso, prestaram queixa ao governo da província da Paraíba, exigindo dele urgente providência, porque não estavam suportando mais a presença daqueles nativos em suas propriedades.
Na ocasião, os proprietários da fazenda Japi de Dentro alegaram às autoridades paraibanas que além dos índios estarem destruindo os rebanhos das fazendas, também representavam uma ameaça e medo aos fazendeiros e seus familiares. E, atendendo às solicitações dos proprietários, as autoridades da Paraíba, que também naquela época ainda conservavam vivo o espírito invasor e destruidor das guerrilhas dos bárbaros, agiram imediatamente enviando um batalhão de policiais, o qual veio bem armado e comandado por um tenente filho do fazendeiro (mencionado na seção conhecedor daquela região, porque ali ele fora criado.
Segundo o informante, a tropa enviada pela província era composta por aproximadamente 250 policiais, vindos todos da Paraíba. Além do tenente, contaram também com o auxílio de alguns proprietários de localidades próximas, de jagunços e de um índio[4] manso, que pertencera à mesma tribo.
Por causa da contribuição do “índio manso”, que foi guiando, ensinando, onde, quando e como deveriam fazer para pegarem todos os índios de surpresa, o ataque ocorreu subitamente sem chance para os nativos se defenderem e nem sequer fugir. Pode até ser que algum deles tenha escapado, porém não temos concretas informações disso.
A estratégia que os fazendeiros e as autoridades da Paraíba usaram para destruir os índios foi parecida com a maneira usada pelos colonizadores, fato esse já mencionado antes nesse capítulo, que ficou conhecido historicamente como “Guerra dos Bárbaros”: ação cruel, desumana e radical. Segundo o informante, esse massacre dizimou aproximadamente dois mil nativos da tribo cariri, que moravam no Boqueirão, às margens do rio Jacu.
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                                                         Foto:wikipedia

O informante detalhou que os cariris se encontravam dormindo, quando o tenente apontou uma arma em direção a uma rede que estava pendurada entre alguns “ganchos” de uma grande craibeira que se encontrava no meio do rio Jacu, na qual estava o cacique Xatau. Em poucos segundos: um tiro, dois tiros. O cacique caiu morto no tronco da craibeira. Esse índio, além de cacique, era um vigilante da tribo.
Enquanto os índios se levantavam tonteados e assustados, os soldados iam fazendo o cerco e deixando um amontoado de mortos. Assim, como tudo foi bem planejado, após matarem o cacique, mais de 50 soldados, bem armados com fuzis, garruchas e espadas, ficaram posicionados atrás das pedras próximas ao local onde se encontravam as armas dos índios, só esperando a chegada dos nativos, pois, com certeza viriam pegá-las. De fato, próximo a esse local foram mortas centenas de cariris. Soldados, em cima de árvores, atrás de pedras, de troncos de árvores e bem posicionados, fuzilavam e matavam os que tentavam escapar do cerco. Enquanto isso, o tenente dava ordem para outro grupo de militares atacar e avançar em direção aos índios.
O massacre do Boqueirão[5] começou ao “quebrar da barra” (ao amanhecer), logo depois que o índio manso roubou todas as armas da tribo, as quais ficavam guardadas numa loca de pedra durante a noite, e findou na parte da tarde, quando o sol já se encobria por trás do imenso paredão da serra, que se estende na direção do poente.
Os soldados já estavam se reunindo para ir embora quando de repente perceberam algo correndo entre as pedras: era uma pequena e, talvez, única sobrevivente índia que corria desesperada pulando as pedras do rio Jacu, perseguida pela guerrilha que acabara de exterminar seu povo; ela na sua desesperada corrida lembrava as águas do Jacu quando tudo era paz. Agora estava ali, sozinha, acossada. Sua família, o pajé, seus amigos, todos mortos. Seus passos diminuíram. Sentia-se cansada. Até que a tropa a encontrou caída numa loca de pedra. O tenente que era parente do fazendeiro e que comandou o massacre resolveu levá-la com vida. Quando ele aproximou a mão no ombro da jovem nativa, foi surpreendido com uma violenta mordida desferida pela índia. Essa mordida foi tão forte que o dedo polegar da mão esquerda do tenente foi decepado e caiu em seus pés. Nesse instante, o tenente trêmulo e transtornado de dor puxou a espada da bainha, e com ela feriu a jovem, matando-a a golpes, no meio do rio Jacu, aquela corajosa índia da tribo cariri que habitava no Boqueirão, situado entre as serras do Japi de Dentro.
Cariry – grupo étnico que outrora ocupou grande extensão do Brasil, da Bahia para o norte de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Cariry é o mesmo que Kiriri, que significa: silencioso, calado (SOARES, 1930).

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Descendência e influencia do Coronel Manoel Medeiros em Japi

O texto a seguir foi transcrito do livro JAPI, TERRA QUERIDA em fatos e fotos, páginas: 62,63,64,65,66,67,68,69, que segundo a Editora CJA Ltada-ME, possivelmente, o livro será lançado no dia 13/01/2018, na E. E. Cel. Manoel Medeiros (ensino fundamental).
Este livro será uma riquíssima obra pioneira que apresentará os principais fatos ocorridos na localidade desde o período colonial até os dias atuais: a extinção da tribo Cariri, a chegada dos primeiros posseiros, a formação das primeiras fazendas, o períodos dos tropeiros, a formação do primeiro grupo de moradores, a principal fonte econômica da localidade, o quadro atual do município e sua tendência para o futuro.

           Esta obra é composta de 460 páginas que trarão muito prazer e emoções, em breve.
João Pedra, o saudoso Bajau e a saudosa Maria Áurea de Medeiros me informaram que nas Guaribas, Sítio que pertence ao município de Araruna/PB, no final do século XIX, morava José Vicente de Medeiros, amigo de Pedro Tolentino da Costa, desde a época em que Pedro também morava na Paraíba, na localidade de Lagoa Cavada.
Nas Guaribas, José Vicente de Medeiros possuía uma propriedade. Naquela época, era costume dos amigos, principalmente fazendeiros, fazerem visitas uns aos outros. Certo dia, José Vicente saiu das Guaribas e veio visitar o seu amigo Pedro Tolentino, que morava na localidade de Japi e, nessa ocasião, ele conheceu a filha do amigo Pedro Tolentino da Costa, que se chamava Torquata “Santinha”, e logo pensou num possível casamento dela com um de seus filhos. 
Conforme depoimento de José Honorato (Zé de Regina), que é primo de João Pedra, logo que Manoel Vicente voltou à sua residência tratou o assunto com seu filho mais velho, Martins de Medeiros. Porém, esse rejeitou a ideia do pai. Então, José Vicente de Medeiros pensou noutro filho. Manoel José de Medeiros. Levou a proposta a ele, e ele concordou com a ideia do pai.
Segundo João Pedra, dias depois, Manoel resolveu ir novamente à casa do seu amigo; montou-se numa égua e partiu em direção às terras do Japi. Antes da hora do almoço, Manoel chegou à casa de Pedro, desceu de sua égua, aproximou-se da porta e falou: “Bom dia, Pedro!”. Pedro saúda o seu amigo e diz: “Vamos entrar e sentar-se!”. Manoel pede licença, abraça o amigo e senta-se. Pedro dirige a palavra à sua esposa: “Mulher! Faça um café para Manoel!”. O café é servido, Manoel toma aquele “café grosso”, forte, feito com rapadura brejeira e em seguida agradece a Deus.
Conversa vai e conversa vem, nada de tocar no assunto e chega a hora do almoço, logo a refeição foi servida, todos almoçam e agradecem a Deus por tudo. Minutos depois, Manoel chama Pedro e saem em direção à varanda, sentam-se e começam a conversar.
Depois de alguns papos, há um silêncio. Pedro se toca e faz a seguinte interrogação: “Manoel, diga mais alguma coisa?”. Manoel lhe respondeu: “Uma coisa muito importante me fez vir até aqui”. E, então, Manoel continuou: “Pedro, o principal motivo de mim está aqui é que eu resolvi oferecer o meu filho Manoel José de Medeiros para casar com sua filha. Se você concordar, será uma alegria muito grande para mim e minha família”.
Logo após desabafar e expor seu desejo, Manoel elogia o filho e reforça o pedido. “Pedro! Manoel José de Medeiros é um rapaz muito direito, trabalhador e ‘ajuntador’, vamos fazer o casamento de sua filha com o meu filho Manoel?”. Pedro então respondeu: “Se Santinha (Torquata) quiser, eu não sou contra”. Manoel Medeiros, ouvindo a resposta que foi muito agradável a sua alma, dirigiu-se a Pedro e pondo a mão no ombro do velho amigo, disse-lhe: “Vou trazer o meu filho para você e sua filha conhecê-lo”. E assim combinaram. Logo marcaram o dia dos dois jovens se encontrarem. No dia marcado, Pedro fez um pequeno banquete e ficou aguardando a chegada daquele que provavelmente seria seu genro. No dia marcado, Manoel chegou com o seu filho à fazenda de Pedro. Desceram dos cavalos e foram em direção à porta. Ao lado de Manoel José de Medeiros estava seu filho. Logo chegou Pedro Tolentino, e Manoel saúda o amigo e apresenta-lhe seu filho. Pedro olha muito admirado para aquele jovem de boa presença, que estava bem vestido com um lindo terno, pegou na mão dele e em seguida abraçou-o, dizendo-lhe: “Seja bem-vindo, meu jovem”. E imediatamente chamou Torquata, que se encontrava num quarto. Quando ela o avistou, quase não disse nada, de tanta emoção e felicidade. Tudo porque aos seus olhos, Manoel parecia um príncipe. Então Pedro Tolentino dirigiu-se à sua filha e disse: “Esse aí é seu futuro esposo, minha filha!”. Então, ela olhou com os olhos brilhando e com um sorriso de criança e falou: “Então está certo, meu pai”. Assim, marcaram a data do casamento para 02 de abril de 1902.
Segundo a certidão de casamento que Maria Zélia de Medeiros possui, Manoel José de Medeiros e Torquata Leopoldina Tolentino da Costa se casaram no dia 2 de abril de 1902. O casamento foi celebrado por um padre da cidade de Araruna, na Casa Grande do Sótão, na fazenda de Pedro Tolentino da Costa. Veio também o Juiz Distrital, Ezequiel Mergelino de Souza, da cidade de Santa Cruz[1], que oficializou o casamento civil.
            
            O nome da mãe de Manoel José de Medeiros era Bertina Maria do Espírito Santo. Filha de agricultor. Ela e seu esposo, Manoel Vicente de Medeiros, residiam no Sítio Guaribas, município de Araruna. E o nome da mãe de Torquata era Francisca Maria da Conceição.
Logo após Manoel e Torquata se casarem, os dois foram morar na casa velha que antes morou Pedro Tolentino, a qual hoje pertence ao seu filho Antônio Medeiros (Seu Tota).
Em 10 de março de 1926, após a morte de Pedro Tolentino, Manoel José de Medeiros mudou-se, dessa vez, ele foi para a casa grande da Ubaia, ou Casa do Sótão, na qual residia antes seu sogro. Nessa casa, Manoel José Medeiros permaneceu até o dia de sua morte, que ocorreu em 31 de outubro de 1959, sendo sepultado na capela de São Sebastião, que ele mandara construir em 1936 no povoado de Japi, numa área onde atualmente fica o bairro Alto São Sebastião[1].
Manoel José de Medeiros nasceu em 5 de dezembro de 1877 e sua esposa, Torquata Leopoldina da Costa, em 23 de agosto de 1882. Deste casal, surgiu uma grande família que hoje é conhecida em toda parte do município de Japi pelo nome de “família Medeiros”, a mais tradicional e ilustre do lugar. Inclusive, quando alguém que é de Japi encontra-se com outra pessoa em outro município, algumas vezes surge a seguinte pergunta: “Você é de Japi dos Medeiros?”.
Em 11 de fevereiro de 1903, Torquata pariu duas crianças, foram elas: José Medeiros e Pedro Medeiros. Porém, depois de poucos meses, Pedro morreu. Por isso, a primeira criança, do sexo masculino que Torquata pariu após a morte de Pedro Medeiros, opôs-lhe o nome de Pedro Tolentino de Medeiros. Depois, ela teve outros filhos. Veja abaixo os nomes dos filhos e netos de Manoel José de Medeiros e de Torquata Leopoldina da Costa.
 Quadro 2: Descendentes de Manoel Medeiros e Torquata

               NOME
NASCIMENTO
MORTE
José da Costa de Medeiros
11/02/1903
06/03/1977
Maria Áurea Medeiros Brandão
19/07/1904
16/02/2004
Pedro Tolentino de Medeiros
28/05/1909
29/05/1992
Francisco de Assis de Medeiros
10/03/1912
26/02/1986
Severina Dantas de Medeiros
02/12/1912
06/01/1983
Manoel Medeiros Filho
11/11/1916
31/07/1967
Antônio Medeiros da Costa
10/09/1918

Francisca Dantas de Medeiros
26/12/1921
14/08/1914
                
FILHOS DE JOSÉ DA COSTA DE MEDEIROS
HOMENS 849968
MULHERES 8409046
José Guedes de Medeiros
Francisca G. de Medeiros
                  
FILHOS DE PEDRO TOLENTINO DE MEDEIROS
HOMENS
MULHERES
Francisco J. de Medeiros (Jodova)
Francisca Amelina de Medeiros
Francisco N. de Medeiros (Nilton)
Francisca Leonor de Medeiros (Niná)
Francisco A. de Medeiros (Neno)
Francisca Aparecida de Medeiros (Tinca)
Francisco T. de Medeiros (Titito)
Francisca Lindalva de Medeiros (Francinete)
Francisco X. de Medeiros (Xavier)
Francisca Eliane de Medeiros
Francisco C. de Medeiros (Carlinho)

    
   
FILHOS DE FRANCISCO DE ASSIS DE MEDEIROS
HOMENS
MULHERES
Pedro A. de Medeiros (Seu Pedrinho)
Marlene de Medeiros
Francisco Assis de Medeiros (Nonô)
Maria de L. de Medeiros (dona Lourdes)
José Darci de Medeiros
Maria José de Medeiros (dona Dedé)
Tarcísio Araújo de Medeiros
Maria Zélia de Medeiros (Zélia de Titito)

Maria Salete de Medeiros

Maria Aparecida de Medeiros

Maria de Fátima de Medeiros
FILHOS DE SEVERINA DANTAS DE MEDEIROS

HOMENS
MULHERES

Manoel Gomes de Medeiros
Marieta Gomes de Medeiros    

-
Maria Gomes de Medeiros

         
FILHOS DE MANOEL MEDEIROS FILHO
HOMENS
MULHERES
Francisco Medeiros Sobrinho

FILHOS DE ANTONIO MEDEIROS DA COSTA
HOMENS
MULHERES
José Pinheiro de Medeiros
Maria Pinheiro de Medeiros
José Antomar P. de Medeiros
Irene Pinheiro de Medeiros    

Maria de Fátima P. de Medeiros

Maria Das Dores P. de Medeiros
                
FILHOS DE FRANCISCA DANTAS DE MEDEIROS
HOMENS
MULHERS
Amadis Pontes de Medeiros
Maria Antonieta P. de Medeiros                                                                                                                 
Amauri Pontes de Medeiros
Maria do Socorro P de Medeiros
João Pontes de Medeiros
Maria do Carmo P. de Medeiros
José Humberto P. de Medeiros
Maria de Fátima P. de Medeiros

Maria Ladjane P. de Medeiros

Linda Pontes de Medeiros

3.4.4 A política local: o coronel Manoel José de Medeiros

Manoel José de Medeiros ou coronel Manoel Medeiros”, patriarca da família Medeiros, nasceu no dia 05 de dezembro de 1877, em Guaribas, município de Araruna/PB. Quando ainda jovem, veio morar na localidade de Japi, casou-se com a jovem Torquata Leopoldina da Costa, filha de Pedro Tolentino, o maior proprietário de Japi naquela época.
Após a morte de Pedro Tolentino, as terras e economias que lhe pertenciam ficaram como herança para Torquata e Manoel José de Medeiros. E, a partir daí, Manoel Medeiros tornou-se o maior pecuarista da região japiense. Além da pecuária, ele impulsionou de tal forma a agricultura algodoeira, que esta região chegou a ser uma das maiores produtoras de algodão durante quase todo o século XX.
Homem de trato fino, muito educado, experiente e com uma capacidade qualificada na área agrícola, foi se tornando o maior latifundiário desta região, a ponto de o povo de Japi chamá-lo de “coronel” Manoel Medeiros.
Manoel José de Medeiros tinha um jeito simples e amigo de lidar com as pessoas, bem diferente da forma convencional pela qual os coronéis do campo tratavam a população.
A manifestação do poder desse senhor, que o povo da localidade o tinha como coronel, abrangia toda a região do Trairi, e influenciava até a política local. Por isso, seu filho Pedro Tolentino de Medeiros foi o primeiro prefeito eleito pelo voto popular na cidade de Japi. Cabe ressaltar que quase todos os líderes políticos que surgiram até hoje nesta cidade são descendente da família Medeiros ou recebeu ajuda dela para se eleger. Entre tantos, o que mais se destacou no cenário político regional foi Francisco Medeiros Sobrinho, que assumiu por várias vezes o cargo de prefeito: três vezes na cidade de Japi, e uma vez na cidade de Santa Cruz, cidade metropolitana do Trairi. Francisco Medeiros também apoiou e ajudou a eleger vários políticos em Japi e em Santa Cruz. Eis os nomes de alguns políticos que foram apoiados por Francisco Medeiros: Gentil Pinheiro prefeito e vice-prefeito, Tarcísio Araújo de Medeiros vice-prefeito, Antonieta Pontes de Medeiros prefeita, José Antomar Pinheiro de Medeiros vice-prefeito, e ainda tentou eleger Jodoval Ferreira de Pontes prefeito deste município em 2008, que quase ganhou a eleição daquele ano. Perderam por pouco. Porém, fortaleceu de tal forma o político Jodoval Ferreira, que na campanha de 2016, com o apoio do filho de Francisco Medeiros Sobrinho na chapa majoritária como vice-prefeito venceu. Foi de fato por causa desse apoio que Jodoval ganhou a eleição com facilidade.

No início da segunda metade do século XX, a economia do povoado de Japi era totalmente agrária, pois a maioria da população habitava na zona rural e viviam apenas da agricultura, e quem controlavam essas áreas eram os proprietários. Vale ressaltar, que o maior proprietário de terra e criador de animais daquela época era o Sr. Manoel José de Medeiros. Ele controlava toda a economia e as principais decisões desta região. Naquela época, alguém só conseguia o título de coronel se comprasse ou se as autoridades lhe concedessem. É importante destacar, que o título de coronel, o Sr. Manoel José de Medeiros nem comprou e nem foi lhe concedido. A população de Japi era quem o considerava um coronel por vê-lo como o maior líder desta região e se relacionar muito bem com sua gente. Foi um título informal e natural.

1.11.5 Os dois grandes latifundiários da família Medeiros depois da morte do Coronel              

Em 31 de outubro de 1959, o patriarca da família Medeiros, Manoel José de Medeiros, faleceu. Depois disso, no comando dos filhos de Manoel José de Medeiros, a economia agropecuária da família continuou crescendo cada vez mais em toda a área do município de Japi. Dessa vez, no comando de Manoel Medeiros Filho (Neco Medeiros), um de seus herdeiros, que em 1962 já concentrava em suas mãos muitas riquezas. Tanto que, na década de 1960, ele já era considerado o comprador e produtor de algodão e também comprador de couro e criador de rebanho mais rico deste município.

Fonte: Foto do cervo da família Medeiros. (Manoel M. Filho e sua neta Sânzia Medeiros)
                

   

A ascendência de Francisco Medeiros Sobrinho (Francisquinho) na agropecuária
  Fonte: Foto do acervo da família Medeiros. (Francisquinho)

Em 31 de julho de 1967, Manoel Medeiros Filho (Neco Medeiros) faleceu e deixou todas as suas riquezas para seu único filho, Francisco Medeiros Sobrinho, que zelou e cuidou com muita responsabilidade de tudo aquilo que seu pai deixara em suas mãos. Tanto que, em 1980, ele já era o destaque da família Medeiros, com desempenho bem-sucedido na agricultura, principalmente nas décadas de 70, 80, até meado de 1990, quando foi considerado um dos maiores latifundiários do Rio Grande do Norte, e o homem[1] mais rico da região do Trairi. Por volta de 1980, Francisco Medeiros Sobrinho já possuía mais terras do que o seu avô Manoel José de Medeiros quando faleceu. A prosperidade dele era muito grande. E a tendência era crescer muito mais. Tudo advindo da produção agropecuária. Nessa mesma década, ele comprou quase todas as heranças que seu avô Manoel José de Medeiros deixou para seus tios. Todavia, o grande latifundiário Francisco Medeiros não se limitou só a esta região. Atravessou as fronteiras intermunicipais e estaduais. Vale salientar que, com o crescimento econômico advindo da produção do algodão e da criação de rebanhos, principalmente bovinos, comprou outras propriedades nas cidades mais próximas: Santa Cruz, São Bento do Trairi, Campo Redondo, São Tomé, São Paulo do Potengi e nos Estados da Paraíba, Piauí e Pará, onde atualmente os seus filhos, Ivanilson Medeiros e Sânzia Medeiros, criam muitos animais.